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Sábado, Março 31, 2007


Post rápido



Eu fiz um longo post. Reli, fiz uma edição, ajustes e li outra vez. Selecionei e deletei.

Tem dias em que uma minissaia preta e uma sandália de salto alto resolvem qualquer problema – e falam mais que mil palavras. Até breve, caros colegas.
Sexta-feira, Março 30, 2007


Melhor que sorvete de manga




A gente fica tentando acreditar que as pessoas mudam. Que melhoram, que percebem o que fizeram e que sim, vão ser diferentes.

Aí, no meio de um dia complicado, você vê que isso não acontece assim tão fácil, que as pessoas não são tão bacanas. A reação natural – pelo menos para mim – seria ir para casa decepcionada, chorando, frustrada.

Só que às vezes a gente percebe que estas coisas em alguns casos são as melhores que poderiam acontecer naquele momento: te deixam esperta, ligada, pronta para dar atenção e carinho para quem realmente merece. Em vez de drama, troquei de sandália e fui tomar um sorvete de manga. Dez minutos depois, falando ao telefone, já dava pra sorrir outra vez.

Até bem pouco tempo atrás, se alguém me pedisse para fazer uma lista das qualidades de um homem que me conquistaria, eu poderia preencher páginas. Hoje, apesar de querer do meu lado alguém que valha muuuuuuuuuuuuuuito a pena, acho que consigo ser mais sintética: quero um homem leal, que chegue na hora marcada, se importe com as pessoas em geral e cumpra o prometido na medida do possível. Alguém com sensibilidade para os dias ruins, paixão para os dias ótimos e amizade para todos os momentos.

Se não for assim, ando preferindo sorvete de manga.


Quarta-feira, Março 28, 2007


Amizades trincadas



Eu gostava dele. Gostava dele como amigo, bem entendido. E gostava assim, instantaneamente. Pelo talento, pela força, pela meiguice. Eis que um dia eu levanto de manhã e percebo que toda aquela humanidade não está mais lá, e não há com o que se revoltar.

Aliás, nunca há. Os amigos são assim sempre; podem decepcionar. Eles erram, fazem coisas tristes, difíceis de aceitar, dessas que dão um nó na garganta, uma certa angústia, e você se pega agradecendo por estar chovendo; assim ninguém vê as lágrimas caírem enquanto você caminha com o passo apertado e um peso no coração. Quando isso acontece, melhor mesmo é ficar quietinho, para avaliar se é uma situação passageira, que dá para consertar e seguir em frente, ou se acaba ali uma admiração sem tamanho, um carinho de graça.

Amigos são humanos, para o bem ou para o mal. Bom mesmo é se tudo passar e acabar em um abraço apertado debaixo da árvore, como deve acontecer com as amizades que se pretendem grandes. Estarei torcendo para esse final, moço do sotaque que não existe.
Domingo, Março 18, 2007


Um girassol sem sol




Chovia lá fora, apesar do calor. Da varanda dava para ver o mar, bonito, mesmo com o dia cinza. Alheio a tudo isso, ele desenhava distraído, sem camisa, com os pés descalços e uma displicente calça preta. Enquanto isso, ela, de saia curta rodada, pés no chão e uma gérbera vermelho-sangue no cabelo, se revezava entre olhava para o mar e olhar para ele.

Ficou pensando que se tinha uma coisa que não acontecia com ela, ainda bem, era a vida passar em branco. Não sabia o que mais lhe chamava atenção, se o mar lá fora, a ruga que se formava na testa dele enquanto desenhava ou o fato de estar ali de pé, com a gérbera vermelho sangue no cabelo.

Ela se lembrou de como ele era deliciosamente engraçado em público e escandalosamente sério quando não se sentia observado. Fez um agradecimento mental por estar com alguém que suscitava esse tipo de pensamentos.

Ele largou o desenho como se tivesse sido atingido pelos pensamentos que passavam pela cabeça dela. Levantou-se e sem dizer nenhuma palavra, segurou-a pela mão. Não caminharam até a cama (ele era lindamente imprevisível), mas até a varanda. Sentaram-se no chão, ela entre as pernas dele, os dois de frente para o mar. Ele abraçou-a com força, como se fossem um do outro. Não eram. Possivelmente jamais serão, e isso não parecia incomodar nenhum dos dois.

Subitamente ele pareceu notar a gérbera vermelho-sangue. Tirou a flor do cabelo dela e sem nenhuma palavra, entregou-lhe. Talvez fosse essa a função dele, devolver-lhe algo que sempre foi dela: uma vontade de brilhar de novo, uma inquietação que, paradoxalmente, lhe trazia paz. Ela entendeu o que estava fazendo ali, então.

Colocou a flor em cima da cadeira onde estavam suas coisas: uma flor daquela cor era obviamente reservada para outras ocasiões, outros sentimentos. Mas agora não era hora de pensar nisso. Um dia encontraria de novo a ocasião correta para usar uma gérbera vermelho-sangue no cabelo. Era sábado, chovia lá fora e os desenhos largados ao lado da cama pareciam convidá-los. Ele segurou-a pela cintura e ela riu despreocupada. Ele lhe falou uma bobagem ao ouvido e ela pensou que... mentira. Ela não pensou em mais nada sério. Não neste dia. Era um dia de girassol amarelo, apesar da chuva lá fora.

Terça-feira, Março 13, 2007


Tu me manques ce matin



Aquele sofá não era meu. Aquela vista maravilhosa que eu apreciava de manhã, que me dava a impressão de estar em um filme desses bem lindos também não era minha. A colorida desordem que reinava na cozinha, com embalagens de comida chinesa, de batata rösti e de doce de coco mineiro também não eram minhas.

O video game jogado no chão, como se ali morasse uma criança. A camisa pendurada no armário, a calcinha jogada na cadeira do quarto, como se ali morassem adultos. O xampoo dele, de uma marca surpreendentemente conhecida. A toalha azul com a qual eu saia do banho e ia me sentar no seu colo enquanto ele baixava intermináveis músicas no computador.Nada disso me pertencia, e tudo isso foi meu por um tempo. Pertences de um tempo bom com hora marcada para terminar. Uma felicidade quase roubada. Mas felicidade, com certeza, em letras maiúsculas e garrafais. Passaram os anos. Eu vivi outras alegrias, maiores e menores. Vivi decepções assim também.

Ele também viveu outras histórias. Nunca se casou, nunca mais namorou sério. Aquela história parecia sepultada. E hoje, com um comercial de loja de departamentos e um telefonema, deu para notar que ela está tudo, menos sepultada.Ela vive na nossa memória, com as nossas gírias inventadas, com piadas internas que jamais serão compreendidas por outras pessoas. Vive no rosto de um gato, em fotos penduradas no mural e até em um peixe de pelúcia, por mais brega que pareça. Tem o gosto do champagne da chegada e do choro da despedida, em uma noite fria em um aeroporto igualmente frio. Tem cheiro de chocolate quente da Angelina, que nunca tomamos juntos. Tem a sensação do vento cortante que me arrepiava toda vez que eu insistia em parar para mais um beijo em uma nova ponte, uma superstição inventada. Tem o ar daquele primeiro sorriso dele, naquele sofá lá do começo.

Se ela continua? Ninguém sabe, não há como prever. Se ainda existe? Para sempre, ao menos na nossa memória.
Quinta-feira, Março 01, 2007


Filosofices

Foi o engraçaod Duílio Ferronato, que tem um link aí do lado e publica umas entrevistas interessantíssimas no seu blog, que começou com essa história de publicar fragmentos de histórias dos outros no blog, mas eu confesso que sempre escuto um pouco quando duas pessoas começam a conversar perto de mim.

Aí esses dias eu ouvi algumas pérolas que valiam a pena serem compartilhadas. Voilà, senhores leitores.

“A informática evolui muito... Antes todo mundo só queria o Windows, e agora quem quer saber dele? Todo mundo só quer o sistema XP, que é o mais moderno!”

Do motorista do meu ônibus, reinventado a informática de maneira meio obsoleta

“Porque tem gente que tem depressão e gente que tem síndrome do pânico né? A diferença é que síndrome do pânico é assim uma doença, precisa de remédio e depressão não pode ser considerada uma doença...”

De uma jornalista, reinventando a medicina, especialmente a psiquiatria, para um outro colega.

“Eu acho que a violência é um problema assim eminentemente educacional-político-sistêmico, tem que ser tratado com muito cuidado, para evitar que fique tudo mais violento...”

No ônibus mais uma vez, soluções para um mundo melhor


PS: A lista de homens para a sessão de tombamentos está bombando. Meninas solteiras, alegrem-se. A vida quase sempre é bem
boa.

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