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Terça-feira, Abril 24, 2007


Dani, meu amor


Ele é alto, moreno e malhado. Um pedaço de mau caminho, como diria minha vó. Tem o apartamento mais cool da Augusta, faz o melhor brigadeiro de panela do mundo e sabe fazer uma maquiagem como ninguém.

É ele que me leva jantar no japonês e no tailandês quando eu estou triste – “comida japonesa sempre faz a gente se sentir mais magro, mesmo que coma muito” – é ele que oferece abrigo quando eu não sinto vontade de ir pra casa, e é só com ele – ou sozinha – que dá para rever todos os episódios de Sex and the City tomando prossecco e falando mal da vida alheia.

É também essa pessoa singular quem me bota pra cima mesmo que diga algumas mentiras. “Quando vi você com esse salto sentada no Spot juro que quase desisti de ser gay”, disse uma vez. Não é verdade, claro, mas já me faz dar uma gargalhada que afasta o mais sombrio dos pensamentos.

Sim, é gay essa pessoa ótima, o que faz dele um amigo ainda melhor. Que outra pessoa pode fazer observações a respeito de uma produção que variam de “tá gostosa, hein, tá malhando?” a “essa blusa não te favorece, nega” em menos de cinco segundos?

É uma das poucas pessoas do universo que não tem Orkut. “Deus me livre, quer que a minha paranóia dobre e eu destrambelhe de vez?”, costuma me dizer as gargalhadas.

Foi ele quem segurou as pontas quando eu briguei com a minha mãe, segurou a mala quando eu fui pra Paris e segurou o apartamento quando eu estava no Rio. E era ele quem me ligava, milhões de vezes por semana, quando eu estava em Salvador dizendo: “volta logo que esse sol vai te envelhecer e eu vou morrer de saudade”.

Por ele eu já me fingi de noiva para ele poder alugar um apê, já estive em festas onde eu era a única hétero e só ele pode me dar um tapa na bunda com aquele ar de “você devia me ouvir um pouco” quando ele acha que estou fazendo uma besteira. É companhia pra vida inteira, ou até o novo namorado dele – ou meu – começar a implicar – costuma passar quando eu explico, ainda que seja óbvio, que em matéria de relacionamentos, buscamos a mesmíssima coisa.

Dani, querido, a vida sem você até que anda. Mas seria muito sem graça. Relações como a nossa são para sempre.
Segunda-feira, Abril 23, 2007


Sorrisos e sorvetes


Se tinha uma coisa que era difícil pra ela era lidar com decepção. Não era mimada, isso não. Sabia por experiência própria que o mundo não era exatamente do jeito que ela queria que fosse. Ainda assim ficava arrasada – mais que o normal – quando alguma coisa não saia como seria planejado, o que quer que seja.


Em um sábado de outono qualquer, ela resolveu que tinha que caprichar na produção. Escolheu uma lingerie para arrasar, foi ao cabeleireiro e saiu de lá direto para um demoradíssimo banho, com direito a todos os óleos, sais e cremes possíveis. Vestiu-se com cuidado, tirou do armário a maquiagem francesa e caríssima, que ela só usava em ocasiões especiais, separou uma surpresa para aquela noite.


Quis a vida – e o trabalho, o tempo e outros fatores – que o objeto de tanto apuro não conseguisse chegar lá no horário marcado – e nem nas próximas 5 horas, diga-se de passagem.
Mas chegou. Cansado, irritado, aborrecido com um dia de trabalho que não havia sido fácil e tendo que partir em breve para trabalhar mais. Ela ainda estava bonita, com a maquiagem já um tanto passada, com a roupa já outro tanto amassada, e ficou super decepcionada.


Mas, ainda não sabe porquê, não teve raiva. Estava atrasado, ela estava chateada e tivesse ele agido de outra maneira, talvez tivesse sido mais difícil considerar. Mas olhou pra ele, visivelmente cansado, às 3h da manhã e parou para pensar que ele havia dirigido mais de 20km para dar um beijo e mais outros 5km pra comprar um sorvete para ver se ela não ficava tão triste. Ficou enternecida com as tentativas dele de fazer com que a noite não fosse ruim, e absurdamente surpresa com uma tentativa de ajuda que ela não imaginava que ele fosse fazer.


Sorriu da melhor maneira possível, abraçou e beijou tanto quanto pode, demonstrou todo o carinho que ele merecia – muito mais depois deste gesto fofo. Entendeu de repente que gostar pode até ter a ver com produção caprichada e surpresas mil. Mas tem a ver também com entender os dias ruins, reconhecer as lindas tentativas de não chatear, deixar para lá a cara amarrada e compreender que dar um beijo é tão melhor que provocar uma briga.


Se ele é o cara certo para ela? Não sabe ainda, há tantas coisas a descobrir, tanto a viver, a saber, é tudo muito novo. Mas teve um gesto lindo – e mais importante, ensinou-a, sem nem perceber, a ser um pouquinho melhor. E só por isso já tem valido a pena.

Terça-feira, Abril 17, 2007


Simples e bom


Algumas vezes um ou dois assuntos ocupam tanto espaço na sua vida que fica impossível olhar para o resto. Sentei a frente do micro aqui de casa para escrever um post sobre a proximidade do meu aniversário e percebi que, para poder digitar, tive que empurrar com o cotovelo o manual do celular novo, uma pilha de livros, um discman e uma agenda de telefone. Tudo isso sem empurrar muito, para que outra pilha de livros, coroada por um batom, umas embalagens de sal e um pacote de lenços não caíssem também.

Larguei tudo e fui fuçar na bagunça: uma máscara facial que eu nunca tive tempo de usar, um DVD que um amigo emprestou e eu nunca vi, pilhas, porta-cd’s, bilhetinhos e uma infinidade de coisas. O post foi para o espaço. Eu, de camiseta, calcinha e máscara facial, estou finalmente assistindo o DVD, enquanto penso quem eu posso importunar para pregar mais uma prateleira que resolva enfim a bagunça dos livros.

Badalar, rir com as amigas, tomar champagne e namorar – tudo isso é uma delícia. Mas tem dias que bom mesmo é ficar no meu quarto. Absolutamente só. Mas sem sentir nem um pingo de solidão. Muito pelo contrário.
Domingo, Abril 15, 2007


Para o fotógrafo mais fofo e mais querido deste mundo


A Sua
Marisa Monte
Composição: Marisa Monte

Eu só quero que você saiba
Que estou pensando em você
Agora e sempre mais
Eu só quero que você ouça
A canção que eu fiz pra dizer
Que eu te adoro cada vez mais
E que eu te quero sempre em paz


Tô com sintomas de saudade
Tô pensando em você
E como eu te quero tanto bem
Aonde for não quero dor
Eu tomo conta de você
Mas te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem
Eu só quero que você caiba
No meu colo
Porque eu te adoro cada vez mais

Eu só quero que você siga
Para onde quiser
Que eu não vou ficar muito atrás
Tô com sintomas de saudade
Tô pensando em você
E como eu te quero tanto bem
Aonde for não quero dor
Eu tomo conta de você
Mas te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem

Eu só quero que você saiba
Que estou pensando em você
Mas te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem
E que eu te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem
Domingo, Abril 08, 2007


Triste, mas de pé


Vou te contar: somente uma pessoa muito deprimida passa a tarde chorando e a noite de sábado assistindo Uma Linda Mulher no sofá da sala.

Bem ruim, sim, porque hoje uma história doeu bem fundo. Mas meu lado otimista não me deixa não dizer, bom também, porque não dá pra ficar deprimida ao infinito: choradas todas as lágrimas que haviam para serem choradas, é hora de enxugar o rosto, torcer para que as coisas se resolvam bem e eu consiga ser feliz com quem eu quero e ir à luta, que os amigos, o trabalho e a vida não páram nunca de rolar. E que bom saber disso numa hora dessas.
Sexta-feira, Abril 06, 2007


Post angustiado


“Se você quando jovem teve a sorte de viver em Paris, então a lembrança o acompanhará pelo resto da vida, onde quer que você esteja, porque Paris é uma festa ambulante.” (Ernest Hemingway)

E tenho dito. Saudade, saudade, saudade. Não só de Paris, mas da festa ambulante que eu costumo carregar no coração.

Quinta-feira, Abril 05, 2007


Coisas da vida, enésima edição


Talvez eu não devesse mais me importar, mas ainda dói. Deixar alguém - seja amigo ou namorado - é uma coisa que torna o dia cinza. Uma saudade de um futuro que parecia bom. Uma tristeza de pensar nos finais de semana na praia que não vão mais acontecer. Nas madrugadas pela cidade que não vão mais existir.

Quando é preciso que alguém se vá da sua vida, um pouco dos seus risos, do seu tesão e da sua alegria vão junto. E deixam um vazio que trava a garganta, nubla os olhos e trazem uma vontade enorme de ficar quieta lendo um livro.

Mas difícil mesmo é pensar que este adeus poderia não acontecer. Bastava um gesto que nunca vai vir, um abraço que o outro é incapaz de dar, um convite para um almoço, uma conversa e uma porção de risadas que, infelizmente, não vai ser feito. Bastava mesmo é que o mundo fosse igualzinho ao que era da última vez em que estive na praia. Bastava que as coisas voltassem a ser como eram no começo.

Deve ter por baixo um milhão de pessoas sentindo esta mesma sensação. Eu mesma, possivelmente ainda vou passar por isso de novo - e vou de novo superar. O que não significa, em absoluto, que não doa. Coisas da vida.