Se eu seguisse minha intuição, teria me livrado de muitas situações ridículas. O grande problema é que eu não sigo. Sempre fica uma vozinha me dizendo que aquilo que uma parte de mim acha que é intuição é na verdade uma vontade inconsciente. Na dúvida, não sigo. E com freqüência, danço.
Dizem que se conselho fosse bom não se dava. Como este blog tem pouquíssimos leitores e é meu, deixo aqui um a quem interessar possa: não continuem uma relação, lance, caso, namoro, ficada ou seja lá o que for com um cara cujo beijo não lhe agrada. Sim, sejam radicais: deletem, ignorem, digam que estão focadas no trabalho, que o ex voltou a procurar, que vai mudar pro Alasca, sei lá. Mas não continuem.
Um beijo perfeito nem sempre significa um relacionamento incrível. Mas um cara que beija mal obrigatoriamente significa um relacionamento no mínimo sem graça. O melhor beijo da minha vida eu dei encostada numa geladeira, num começo de tarde calorento no Recife no homem que – adivinhe! – foi um dos mais importantes da minha vida.
Um dos piores beijos – não digo o pior, porque já passei por situações que vocês nem acreditam nessa vida – eu dei em São Paulo mesmo. Tinha gosto de champagne e novidade, mas definitivamente não me fez ver estrelas. A vozinha me disse que aquilo era uma furada da grande, mas foi devidamente ignorada e é claro, anos depois, ficou provado que aquele dia jamais deveria ter acontecido.
Beijo bom não requer técnicas aprendidas em revistas femininas metidas a ousadas, não precisa de cenário de sonho, de champagne, nem de firulas. Beijo bom acontece, e qualquer mulher com mais de 12 anos sabe muito bem identificar um.
Quando um beijo te deixa com uma sensação que é menos do que ver estrelas, fique atenta. Se faltou química ali, naquele momento em que quase tudo é mágico, que química poderá existir em outras coisas mais importantes? Como é que se vira cúmplice, se conta um segredo, se confia um sonho, se admite um temor para alguém cujo beijo é mais ou menos?
Na dúvida, não aceite nada mais ou menos: nem beijos, nem relacionamentos, nem amigos, nem amores, nem trabalho. A gente não dá um duro danado, sofre, ama, chora, dá risada, passa por cada situação... para levar uma vida mais ou menos.